segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Morreu de poesia, pobrezinha

Ela morreu de excesso de poesia. Escreveria no atestado de óbito se tivessem me dado essa tarefa. Escreveram que foram os remédios pra dormir. Médicos são tão estúpidos que não conseguem ver que os remédios não foram a causa. O que matou o corpo foram os remédios. O que matou a alma foi a poesia. Não entendo a razão de darem mais importância ao corpo. O corpo não morreria se a alma estivesse viva. Ela morreu de poesia, como tantas outras antes, como tantas ainda morrerão. Essa vida é tão cheia de poesia que as vezes transborda e mata a alma. É tão cheia de poesia que as vezes sufoca e não deixa viver. A poesia mata, e está sempre esperando pra fazer uma nova vítima. A poesia é cruel e gosta de sangue. Ela um dia te mata, me mata, nos mata. Ela é deusa cruel sedenta por sangue e um dia acaba com esse mundo.
Morreu de poesia, pobrezinha. O mundo tinha poesia demais e ela não conseguiu escrever. A poesia veio, cruel como só ela sabe ser, e acabou com tudo. A pobrezinha, poetisa tão jovem, tão cheia de vida. Morreu assim, sem muita explicação. Morreu de poesia guardada no coração. A poesia mata, repito. E um dia acaba com todos nós. Ela se acumula no peito e comprime os órgãos. E escrever só adia a morte. Um dia a poesia vence.

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