sábado, 29 de setembro de 2012

Sobre o pecado.

A sua presença era como uma brisa leve de verão. Seus lábios eram doces como o mais doce dos vinhos. Seus olhos eram buracos negros que sugavam os meus. Suas curvas eram perigosas tentações da natureza. Tudo nela gritava pecado. E eu me atirava em seus braços sem medo de perecer eternamente no inferno. Ela podia ser só mais um pecado na minha pequena lista de razões para não merecer o céu, mas era também o maior deles. Quando provei do que ela tinha a me oferecer todas as minhas chances de salvação tinham sido colocadas fora. Ela era meu maior pecado, mas eu era sua única redenção.
Ela nunca teve esperanças de salvação antes de me encontrar em um boteco qualquer numa noite quente de verão. As longas pernas a mostra, um copo de cerveja e um sorriso fácil, foram os três ingredientes principais da minha receita de como acabar no inferno por causa de uma mulher. Ela era o pecado materializado a minha frente, e eu queria pecar. Ela falava sobre transgressões que eu nunca havia imaginado. Sobre pecados que ela havia cometido, e outros tantos que ela ainda queria cometer. Ela me desvirtuava a cada palavra, me arrastava para o inferno com ela a cada simples toque.
Exatas duas horas depois eu estava perdida, e completamente despida de pudores e roupas na cama da maior pecadora depois de Eva. E o pecado era como uma carta de alforria. Não estava  mais presa a nada, não era mais escrava da pureza. Eu tinha cometido os maiores pecados possíveis, e queria mais. Pecar se tornou um vício, um prazer, uma mania. Pecar se tornou essencial. E eu pecava como quem não necessitasse de mais nada. Eu precisava do pecado, do prazer, dela. Da sua presença, dos seus lábios, dos seus olhos, das suas curvas.
E eu a tinha, em todos os momentos. Mesmo depois que ela decidiu fazer outras moças inocentes pecarem, e depois dela voltar correndo implorando pela salvação que eu era. Enquanto eu pecava ela estava lá. Eu pecava, e peco, e continuarei pecando. Por que é bom, prazeroso e me faz querer cantar. Por que pecamos com palavras e com gestos. E com olhares e com amores. Por que nem pecado, nem deus, nem diabo, nem inferno, nem céu, nem purgatório, existem fora das limitações da nossa própria mente. Peco por que ela me ensinou que o pecado não existe.

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