terça-feira, 30 de agosto de 2011

Um filme, pensamentos que me matam por dentro e uma música

"If one is not enjoying one’s present there isn’t a great deal to suggest that the future should be any better."
A Single Man

Lentamente, muito lentamente, todos os resquícios de esperança deixam meu corpo. É como se a esperança se fosse devagar para que eu possa me acostumar a sua falta antes de me deixar totalmente. É como se eu estivesse vendo a minha esperança lentamente empacotar as coisas dela, fazer as malas e se mudar.

- Mas eu preciso de você.
- Desculpe-me, eu preciso ir.
- Como? Eu não consigo viver sem você.
- Você aprende, agora preciso ir. Outros precisam de mim.
- Não, não, não. Você não entende. Você é a única que me resta.
- Desculpe.

A minha esperança se vai, de vez, para sempre. E eu fico, desiludida com a vida, pensando em como nada irá mudar. Pensando em todo o caminho que ainda tenho, e se antes a esperança distorcia as paisagens hoje eu vejo que o caminho só me leva para baixo. Um poço sem fim, estou me preparando para não ver mais o sol daqui um tempo.
Eu não tenho muita certeza de como é a minha esperança, as vezes ela é um belo rapaz de cabelos negros, as vezes uma criança de bochechas rosadas, mas sempre tem aqueles olhos verdes brilhantes, e usa roupas brancas. Eu tenho essa mania de imaginar meus sentimentos como pessoas, de dar cores especificas a eles, de dar rostos a eles, de transforma-los em meus personagens, de falar com eles. São pequenos diálogos comigo mesma que me confundem e me esclarecem. E agora que a minha esperança me deixou de vez, que ela foi embora, que foi habitar um outro coração mais necessitado, eu estou sozinha. Sozinha com uma garota de roupas pretas e olhos tristes que eu chamo de solidão. Mas ela não gosta muito de falar, então me mantenho calada também.

"We all have hearts
We all have homes
But when we die
We die alone" 
Life and Death - The Dear Hunter

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