quinta-feira, 5 de maio de 2011

Todos querem essa doença

Ela o amava. Aquele tipo de amor que faz o coração acelerar. Que faz as mãos procurarem o calor do corpo amado. Que faz o ar ir embora com apenas um olhar. Que faz os olhos procurarem o outro na multidão. Aquele amor com todos os sentidos. Com o tato, o olfato, a audição e o paladar. Aquele amor puro e obsceno. Aquele amor obsessivo. Doente. Mas as histórias mais bonitas são sobre esses amores. Não são?
Julieta era doente por Romeu. Romeu era doente por amor. Ah, essa doença. Ah, o amor. Ela sentia aquelas borboletas no estômago. E o nó na garganta. E as pupilas dilatadas. E as mãos suando. E o coração aos pulos. Era ele. E nada mais importava. Ela estava doente. Doente de amor. Doente dele. Ele era uma doença que só a morte curaria. Ah, os clichês do amor. Ah, o drama do amor.
Todas as boas histórias de amor tem uma boa dose de drama. E um pouco de tragédia. Todos amam um pouco de sangue, afinal vermelho é a cor do amor. Esses amores doentes, essas obsessões. Eles tornam a vida um pouco mais doce. Mas não queiram viver um amor assim. Não é recomendável. E acreditem, eu gosto de histórias de amor. Mas viver uma assim? Não, é uma doença, lembrem-se. Ninguém quer estar doente. Mas todos querem amar. Ah, as contradições da vida. Eu acho que morrer de forma trágica é algo um tanto bonito.
Quero dizer, se a sua vida for uma busca por esse amor doentio, morrer de forma trágica é a única maneira de se lembrarem de você. Por que ninguém lembra desses doentes apaixonados que tiveram uma vida normal e morreram velhinhos. Ninguém lembra deles.
É por isso que ela tem esse ódio no olhar, e essas mãos sujas de sangue. Por que a maioria das histórias de amor doentio é vivida sozinha. A roupa branca suja de vermelho. Ah, a cor do amor. A faca pendendo ao lado da cama. E a cura para aquela doença chamada amor.

Um comentário:

  1. "Todos amam um pouco de sangue, afinal vermelho é a cor do amor." Amei esse trecho.
    Afinal, qual é a graça de um romance sem sangue, obsessão e loucura? A droga é quando as pessoas começam a achar que é mesmo assim, que o amor deve ser suicida, doente. Não, queridos, esse amor só chega a ser bonito nas histórias e ainda assim um clichê. De qualquer jeito, sempre achei Romeu e Julieta muito babaca.

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