sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A morte da Literatura

Pronomes, verbos, predicados, narrador em primeira ou terceira pessoa, elementos da narrativa, climax, enredo, paroxitonas, dissílabas, monossílabas, verdo transitivo direto, verbo transitivo indireto, verbo intransitivo, proparoxitonas, oxitonas.
A gramática mata a literatura. Um texto estruturado é um texto morto.
Por que cuidar acentos quando se escreve com o coração? Por que analisar gramaticalmente um texto e não prestar atenção ao sentido? Por que analisar o texto? Por que não analisar a história em si? Por que não pensar sobre o impacto que aquelas palavras tiveram na nossa vida?
Não consigo escrever como as regras dizem que devo escrever. Pode ser daí que vem todo esse ódio pela gramática e por estas estruturas do texto. Não acredito nessa literatura onde todas as palavras são meticulosamente analisadas e escolhidas. Não acredito na literatura extremamente organizada.
Não me sinto confortável ao "desconstruir" um texto, ao analisa-lo, sinto que estou o despindo de toda a beleza, estou entrando em um espaço proibido, um espaço de segredos que só pertencem ao autor. Não gosto disso, é como se eu estivesse desmembrando a história, como se eu estivesse matando-a a cada denominação para suas partes, a cada vez que preciso apontar seu climax, ou seu desfecho.
Esqueça a gramática e as estruturas, se deixe levar pelas palavras. Não assassine a literatura.

Nenhum comentário:

Postar um comentário